Categoria: Ficção


  • Sira

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    Certo dia, a fada Sira ouviu dois meninos a conversar; o mais animado contava ao outro o sonho que tivera nessa noite:— Foi fenomenal! Andei num escorrega nas nuvens. Faz a adrenalina subir. E, também, andei de triciclo, de comboio a vapor e joguei à bola. Do que mais gostei foi do pónei Équo que…

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  • Em breve, Maria faria anos, um número redondo, setenta para ser mais preciso. Com a partida de João, companheiro de uma vida longa e preenchida, a casa tornara-se grande; as filhas tinham saído do ninho, há muito. Por isso, era o momento para dar um novo rumo aos dias que lhe restavam, mas a mudança…

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  • Quando dei com o Virgílio na Visconde da Luz, especado em frente ao homem-estátua, e ele me alertou — Põe-te a pau que o Acácio anda a armar-se em parvo com um olho em mim e outro no homem-estátua, eu não acreditei. Não acreditei que o Acácio andasse a armar-se em parvo, porque o conheço…

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  • A professora Carla ensinava na escola da aldeia onde nascera. Os alunos gostavam da docente do primeiro ciclo, não só porque ela lhes ensinara as primeiros letras e números, como porque os levava aos museus, espetáculos de teatro ou dança, ao circo e até ao jardim zoológico.Conhecia cada aluno — e família —, assim como…

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  • Avançava contra o tempo, transformado num verdadeiro temporal, e contra o relógio que o obrigava a esticar o passo a cada momento. A noite já ia longa quando o Zé Vítor se dirigiu à sala da avó, numa casa rodeada de um jardim magnífico e bem cuidado, com um lago de forma oval do qual…

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  • Odeio a escrita

    Na taberna Pata de Coelho, o lume nunca queimava como deveria ser. Ardia como se tivesse dúvidas de existir. Dizem que a taberna fora construída num cruzamento amaldiçoado, mas a lenda não foi confirmada.Ali, Elianor de Vesk, estudiosa da escrita, passava as noites. Julgava dominar as palavras. Não por as praticar, mas por as ter…

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  • Coimbra, 1 de maio de 2025Meu amigo, Robim!Hoje posso dizer-te que o dia correu bem. Sei que tenho andado um pouco em baixo, talvez devido ao excesso de trabalho… desassossegos… entre outros dilemas que a vida nos oferece. Tens sido quem me tem ajudado a mastigar os imprevistos que partilho contigo. Lembrei-me da minha mãe,…

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  • A carta

    A chuva tamborila nos vidros e caixas de estores, miudinha e fria. Da janela vejo o jardim com a glicínia roxa e frondosa enrolada na velha nespereira que parece chegar ao céu. A magnólia branca coberta de flores como uma noiva brilha no relvado. A esguia palmeira verde esticou-se até às nuvens. Hortênsias pululam nos…

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  • Efémero

    Gosto de olhar o mar e sentir o balouçar como um gesto repetido e paciente. E adoro ouvir o som das ondas que se enrolam na areia, numa dança constante, sem fim, enlaçados num amor infinito de felicidade, o que me extrapola à calma e à ausência do mundo em que vivemos.Caminhar à beira-mar conduz-me…

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  • O mar é um jardim onde a relva é azul. Um turbilhão de emoções: quando está calmo, eleva-nos ao infinito; quando revolto, amedronta-nos, agita-nos e provoca-nos o sossego. Mas a atração é intensa; não é possível aquietar-nos. É como se fosse um jardim proibido, onde, mesmo assim, me atreveria a entrar. Quero muito ir lá.…

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