O mar é um jardim onde a relva é azul.
Um turbilhão de emoções: quando está calmo, eleva-nos ao infinito; quando revolto, amedronta-nos, agita-nos e provoca-nos o sossego. Mas a atração é intensa; não é possível aquietar-nos. É como se fosse um jardim proibido, onde, mesmo assim, me atreveria a entrar. Quero muito ir lá.
Não colherei nenhuma das flores que por lá encontrar, mas quero a sensação de tocar levemente em algumas… Nas ramificações de corais, que têm cores magníficas, tocarei com muito cuidado: a beleza, às vezes, rasga! As cicatrizes permanecem. Às anémonas dar-lhes-ei distância; os seus tentáculos são um pouco assustadores. Cá fora também é assim. Com os rodólitos, que parecem pipocas vestidas de algas vermelhas, posso até brincar. Adoro algas, suavizam-me a alma… Nos castelos que formam, creio que posso vislumbrar abrigo para os peixes que, neste jardim onde a relva é azul, também são flores: umas de cores singelas, outras absolutamente deslumbrantes! Às estrelas-do-mar contarei as pontas e às conchas as riscas. Aos búzios vou perguntar quando ouviremos finalmente o som da paz.
Devo ir visitar este jardim?…
O autor inspirou-se na exposição “Erosões”, da artista ceramista Marta Botelho.
2 respostas a “O mar é um jardim”
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Muito bom! Acho que a Isabel Simões deve ir visitar este jardim!
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Gosto muito do seu jardim.
Lindo e aconchegante…


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