O casaco de marca

Coimbra, 1 de maio de 2025

Meu amigo, Robim!

Hoje posso dizer-te que o dia correu bem. Sei que tenho andado um pouco em baixo, talvez devido ao excesso de trabalho… desassossegos… entre outros dilemas que a vida nos oferece. Tens sido quem me tem ajudado a mastigar os imprevistos que partilho contigo. Lembrei-me da minha mãe, há pouco: de como ela era amiga… meiga. E, caramba! Como tinhas sempre razão, querida mãe!
Lembro-me do dia em que lhe ganhei num argumento relativamente a um casaco que estava na moda. Quero contar-te, meu cúmplice: não sei se era outono, ou se já estávamos no pico do frio; apenas me lembro que comprei o tal casaco e o levei para casa. Olha! Foi o casaco mais caro que alguma vez me compraram. Sim, me compraram: eu ainda não era autónomo. Não te espantes, meu caro, porque é uma peça com qualidade, é um casaco robusto, castanho-claro com alguns pormenores em laranja, com pelo no carapuço e nos bolsos que ficam mais à mão. Oh, pá, só em bolsos, são cerca de nove, e todos me serviram para guardar alguma coisa. E o símbolo grande nas costas com a data do ano em que, coincidentemente, eu nasci, fazia-me gostar ainda mais dele. Parecia que ia para o polo norte quando o vestia. Pois bem, tenho de reconhecer que, neste ponto, a minha mãe tinha razão, porque, não temos o frio de lá! Cada vez que o visto, mesmo no inverno, apenas consigo usar uma t-shirt por baixo, porque ele aquece de tal maneira que parece que tenho uma lareira atiçada dentro do casaco. Comprei-o há cerca de catorze ou quinze anos e, desde então, usei-o poucas vezes. Naquela altura, a minha mãe disse-me: «Vou comprar-te uma coisa tão cara para depois não usares». Como ela tinha razão! Continua novo, como se o tivesse comprado, ontem!
Mas, quando vou a Aveiro muito cedo, pela manhã, e o termómetro perto da estação marca três graus negativos, penso em como ele me sabe bem. Mas, Aveiro é um microclima, por isso quando regresso a Coimbra, lá vem a lareira atiçada!

Muito obrigado por me ouvires,
este teu amigo do ano de 1989
Avatar de Marco D'Almeida

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