
Anseio pelo dia em que possa tranquila sentar-me contigo a ver o mar Cheirar o sal que tempera a alma Faz saborosa a dor de amar Caminhar pela espuma sem medo da bruma que tomba sem avisar E na quietude do entardecer Sossegar no teu abraço Sem tempo, nem espaço Sem pensar sequer sonhar apenas…

Hoje sou um deserto negro De negros soldados tombados de pé Com a Negra maré arrasaram a Minh ‘alma Cruéis generais de ganância cegos Mataram-me os filhos e aos vivos roubaram-me o pão Negras lágrimas correm por esta terra mãe, terra mártir E chorando anseia pelo verde perdido Que lhe traga esperança ao coração partido.

Um dia eu vou! Eu juro que vou Vestir a saia ao contrário e rir-me de mim E depois vou sentar-me num banco de jardim Apanhar sol na cabeça e pensar em nada. E quando estiver cansada de pensar em nada Vou meter pés à estrada E vou ver o mundo Um dia eu vou…